O ano de 2025 ficará marcado como um dos mais transformadores para o comércio exterior brasileiro. Entre recordes históricos de movimentação, mudanças regulatórias profundas, instabilidade geopolítica e novos acordos comerciais, o setor viveu um período de forte adaptação, exigindo das empresas mais planejamento, inteligência logística e capacidade de resposta.
Acompanhe os principais acontecimentos do cenário logístico em 2025 e que ajudam a entender os desafios e oportunidades que se desenham para 2026.
Porto de Santos bate recorde histórico de movimentação

O Porto de Santos encerrou 2025 com a maior movimentação de cargas de sua história. O complexo portuário superou 179 milhões de toneladas ao longo do ano, consolidando um crescimento acumulado de 7% nos últimos cinco anos.
O desempenho foi impulsionado por recordes mensais, com destaque para novembro, quando mais de 16 milhões de toneladas passaram pelo porto, o maior volume já registrado para o mês. A movimentação de contêineres também atingiu patamares históricos: outubro registrou mais de 550 mil contêineres, o maior volume mensal da série histórica.
Além dos números operacionais, o porto avançou em projetos ligados a estrutura, com o objetivo de oferecer melhores condições de recebimento de cargas. Está previsto o aprofundamento progressivo do canal de navegação, em até 17 centímetros nos próximos três anos, ampliando a capacidade de recepção de navios de maior porte e elevando a eficiência logística do complexo.
Túnel Santos–Guarujá: primeiro túnel submerso do Brasil
Outro marco relevante foi o avanço institucional do Túnel Santos–Guarujá, o primeiro túnel imerso do Brasil. Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto é considerado uma das obras de infraestrutura mais estratégicas do estado de São Paulo.
Em 2025, a assinatura do contrato de concessão foi prorrogada, com expectativa de formalização até janeiro de 2026. A obra tem potencial de transformar a mobilidade regional, fortalecer a economia local e otimizar a operação portuária, reduzindo gargalos logísticos entre Santos e Guarujá.
Viracopos: o impasse da relicitação
O Aeroporto de Viracopos viveu um dos capítulos mais delicados de sua história recente. Em junho de 2025, o Tribunal de Contas da União encerrou o processo de relicitação por perda de prazo, inviabilizando a continuidade do edital.
Com isso, o terminal o quinto maior aeroporto do Brasil em movimentação, poderá enfrentar um processo de caducidade da concessão, o que implicaria a devolução da gestão ao governo federal. A decisão acende alertas sobre possíveis impactos operacionais e de qualidade do serviço, especialmente durante a transição.
Reforma Tributária avança e entra em fase decisiva
Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a regulamentação da segunda etapa da Reforma Tributária, estabelecendo as bases do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá ICMS e ISS.
Com início da transição previsto para 2026 e conclusão até 2033, o ano foi marcado por ajustes finais e preparação das empresas. A reforma promete alterar a dinâmica entre os estados, rever incentivos fiscais e impactar diretamente o comércio exterior, exigindo planejamento tributário, revisão de custos logísticos e adequação de sistemas.
DUIMP: o processo de digitalização da importação
Outro avanço estrutural foi a consolidação da Declaração Única de Importação. Até o final de 2025, todas as operações de importação passaram a ser registradas exclusivamente via DUIMP, substituindo a DI e a DSI.
Entre os principais benefícios estão:
- Redução de prazos de desembaraço
- Diminuição de custos operacionais
- Eliminação de redundâncias
- Maior previsibilidade e integração de dados
A mudança representa um avanço no sistema aduaneiro brasileiro, aproximando o país de padrões internacionais de governança e digitalização.
Politicas tarifárias entre países
O cenário internacional seguiu instável em 2025. O chamado “Tarifaço do Trump” voltou ao centro do debate, com a imposição de tarifas que chegaram a 50% sobre produtos brasileiros, posteriormente reduzidas para alguns itens estratégicos.
A disputa entre Estados Unidos e China ganhou novos capítulos, com tarifas acumuladas superiores a 100% e respostas comerciais envolvendo restrições a insumos críticos, como terras raras. Ao mesmo tempo, a economia chinesa desacelerou, projetando crescimento de 4,5% em 2025, o menor ritmo em décadas.
Esse contexto acelerou a busca por diversificação de mercados, fortalecendo acordos como Mercosul–União Europeia, EFTA e a ampliação do papel do BRICS.
O que 2025 deixou como legado para o comércio exterior
A retrospectiva de 2025 revela tendências claras:
- Diversificação de destinos além da China
- Crescimento do número de empresas exportadoras, ampliando a base competitiva
- Governança, compliance e digitalização como pilares do setor
- Tecnologia aplicada à logística, com automação, RPA, IA e Big Data
- ESG e gestão de riscos integrados à estratégia de negócios
2025 mostrou, mais uma vez, que o comércio exterior é altamente sensível a fatores econômicos, políticos e logísticos. Entre recordes, crises, reformas e novos acordos, o ano reforçou a importância da adaptação, do planejamento e de uma visão estratégica de longo prazo.
O ano de 2026 também será desafiador. Mas, com preparação, antecipação e inteligência logística, empresas que atuam com parceiros capazes de oferecer visão de ponta a ponta estarão mais preparadas para transformar complexidade em eficiência e cenário instável em oportunidade.










