Após 26 anos de negociações, o Acordo de Associação entre Mercosul e União Europeia foi finalizado em 2025, representando um marco nas relações comerciais internacionais. Iniciado em 1999, o tratado aguarda agora a assinatura e ratificação pelos países membros, etapa que ocorrerá após a tradução do documento para os idiomas oficiais das 27 democracias envolvidas e sua submissão ao Conselho Europeu para análise e aprovação.
O acordo tem como principal objetivo fortalecer a integração econômica e política do Mercosul, ampliando sua presença no comércio global. Uma vez ratificado, ele formará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de cerca de US$ 22 trilhões.
Considerado um dos maiores acordos bilaterais de livre comércio da história, o tratado surge em um cenário de crescimento do protecionismo e de disputas comerciais, reforçando a importância da cooperação e da abertura de mercados como caminhos para o crescimento econômico sustentável.
Impactos diretos para o Brasil com o acordo
A União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio que somou aproximadamente US$ 74 bilhões até setembro de 2025. A expectativa é que o acordo estimule novas parcerias, modernize cadeias produtivas e fortaleça o setor industrial.
Estudos indicam que a entrada em vigor poderá gerar mais de US$ 7 bilhões em exportações adicionais, principalmente em bens de maior valor agregado, como aeronaves e móveis de madeira.
Além de ampliar o acesso a novos mercados, o tratado deve aumentar a competitividade brasileira, promover transferência tecnológica e estimular investimentos sustentáveis.
Os desafios ambientais e sociais dentro do acordo Mercosul União Europeia
Mesmo com avanços significativos, os desafios permanecem. Questões ligadas à sustentabilidade, políticas públicas e equilíbrio regulatório seguem como pontos de atenção. O compromisso de que o acordo seja benéfico e equilibrado para ambos os blocos, mantendo a preservação ambiental e a responsabilidade social, é central nas discussões atuais.
A negociação reflete a complementaridade entre as economias: enquanto o Mercosul se destaca no agronegócio e exportação de alimentos, a União Europeia concentra força em indústria e tecnologia.
Um passo histórico nas relações comerciais
Fatores externos também influenciaram o avanço das tratativas, como o tarifaço implementado pelo então presidente Donald Trump, que evidenciou a importância de diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência dos Estados Unidos.
Em setembro de 2025, o texto final foi concluído e encaminhado para a etapa de assinaturas formais. A expectativa é que a ratificação ocorra em dezembro, durante a cúpula do Mercosul, em Brasília, marcando o fim de um longo ciclo de negociações e o início de uma nova fase nas relações econômicas entre os dois blocos.
A consolidação do acordo Mercosul–União Europeia reforça o papel estratégico da América do Sul no comércio global, abre novas oportunidades de integração logística e tecnológica e sinaliza um futuro de maior competitividade e cooperação internacional.
Mais do que reduzir tarifas, o tratado representa um novo modelo de parceria econômica, em que sustentabilidade, inovação e transparência passam a ser pilares centrais nas relações comerciais entre os países.










